Artigo de opinião
Parcerias Público-Privadas: Uma Visão de Quem Investe Globalmente
Parcerias público-privadas costumam ser discutidas em termos técnicos e jurídicos — estruturas contratuais, quadros regulamentares, mecanismos de garantia. Tudo isso importa, claro. Mas depois de acompanhar de perto projetos de modernização institucional em diferentes contextos, james deller quero partilhar uma perspetiva menos falada: a que olha para essas parcerias do ponto de vista de cultura organizacional e desenvolvimento humano, não apenas de estrutura contratual.
PPPs bem-sucedidas dependem de pessoas, não apenas de contratos
É fácil desenhar uma estrutura de parceria público-privada tecnicamente impecável no papel e vê-la falhar na prática porque as pessoas envolvidas — dos dois lados — não desenvolveram confiança mútua ou alinhamento cultural suficiente para operá-la no dia a dia.
Na minha experiência ao apoiar processos de modernização institucional, o tempo investido em construir relações e entendimento mútuo entre as partes costuma prever o sucesso do projeto melhor do que qualquer cláusula contratual.
O papel do investidor não é só financeiro
Quando participo de estruturas ligadas a parcerias público-privadas ou processos de modernização institucional, o meu papel vai além de capital. Envolve trazer disciplina de governança, cultura de dados e estruturas de reporting que ajudam a instituição a operar com mais transparência e eficiência ao longo do tempo.
Investidores que entram apenas com capital, sem este tipo de contribuição estrutural, tendem a acrescentar menos valor a longo prazo — e frequentemente enfrentam mais atrito durante a execução do projeto.
Paciência é a moeda mais escassa neste tipo de projeto
Projetos institucionais operam em ritmos diferentes dos projetos puramente privados. Processos regulamentares, ciclos políticos e a necessidade de construir consenso entre múltiplos stakeholders tornam tudo mais lento por natureza. Investidores que chegam à espera de velocidade de startup costumam frustrar-se — ou, pior, pressionar por atalhos que comprometem a qualidade da modernização coritiba.
A lição que aprendi é simples: quem não tem paciência para o ritmo institucional deveria repensar se este é o tipo de investimento certo para o seu perfil.
Transparência constrói a confiança que sustenta a parceria
Parcerias público-privadas vivem ou morrem com base na confiança entre as partes ao longo do tempo — não apenas no momento da assinatura do contrato. Manter comunicação transparente, especialmente quando as coisas não vão como planeado, é o que sustenta relações a longo prazo entre o setor público e investidores privados.
Já vi parcerias sólidas deteriorarem-se porque uma das partes escondeu problemas em vez de comunicá-los abertamente. E vi parcerias difíceis fortalecerem-se porque as partes trataram desafios com honestidade mútua.
Modernização institucional exige adaptação cultural dos dois lados
Um erro recorrente é assumir que apenas o lado público precisa de se modernizar. Investidores e parceiros privados também precisam de adaptar a sua forma de operar às particularidades do setor público — os seus prazos, as suas exigências de transparência, o seu escrutínio público. Parcerias que funcionam bem são aquelas em que ambos os lados aceitam ajustar a sua cultura organizacional, não apenas um deles.
A minha visão sobre o futuro das parcerias público-privadas
Continuo otimista sobre o potencial das parcerias público-privadas como ferramenta de modernização institucional, curitiba especialmente em mercados como o Brasil, onde existe tanto capital quanto conhecimento disponível para acelerar este processo. Mas o sucesso real depende de investidores dispostos a operar com paciência, transparência e foco genuíno em desenvolvimento institucional a longo prazo — não apenas em retorno financeiro a curto prazo.
É este tipo de parceria — construída com respeito mútuo e visão a longo prazo — que considero mais valiosa, e é nela que prefiro investir o meu tempo e capital.
Fotografia: Vitaly Gariev / Unsplash